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Segunda, 11 Setembro 2017 13:04

Jânio prestigia. Em Trindade, Meio Ambiente promove palestra no Dia Nacional do Cerrado

Goiás vive severa crise hídrica. O problema é uma das consequências da devastação das nascentes no Cerrado – um bioma que abastece a maior parte do país.

O Brasil alcança mais um 11 de setembro, data nacional dedicada ao Cerrado. Entre repetidas promessas de um modelo de desenvolvimento sustentável, essa região estratégica para o futuro do país tem sua vegetação nativa diariamente consumida, ora pelo desmatamento, ora pelas queimadas.

Com a participação do prefeito Jânio Darrot (PSDB), buscando disseminar informações entre colaboradores, simpatizantes e na Rede Municipal de Ensino, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, gestão de Esmeraldo Silva, realiza nesta manhã de segunda-feira, a palestra CERRADO – BIOMA EM EXTINÇÃO com os especialistas Harley Anderson de Souza e Leo Lince Almeida.

Esmeraldo Silva disse que há 20 anos é um entusiasta em favor da preservação do Cerrado, uma vez que participa como atleta, de um dos maiores movimentos em Goiás, a Caminhada Ecológica. “Muito pouco mudou, a degradação e o desmatamento avançam”, destacou.

Jânio parabenizou a iniciativa, falou dos Guardiães Mirins, crianças que recebem instrução ambiental, monitorada pelo município e pediu que a secretária de Educação, Magda Batista, também presente, promova com maior ênfase esta conscientização nas unidades de ensino.

Saiba mais:
O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira. Estendia-se originalmente por uma área de 2 milhões de km², abrangendo dez estados do Brasil Central. Hoje, restam apenas 20% desse total. Típico de regiões tropicais, o Cerrado apresenta duas estações bem marcadas: inverno seco e verão chuvoso.

Com solo de savana tropical, deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio, abriga plantas de aparência seca, entre arbustos esparsos e gramíneas, e o cerradão, um tipo mais denso de vegetação, de formação florestal. A presença de três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata) na região favorece sua biodiversidade .

Estima-se que 10 mil espécies de vegetais, 837 de aves e 161 de mamíferos vivam ali. Essa riqueza biológica, porém, é seriamente afetada pela caça e pelo comércio ilegal. O Cerrado é o sistema ambiental brasileiro que mais sofreu alteração com a ocupação humana.

Atualmente, vivem ali cerca de 20 milhões de pessoas. Essa população é majoritariamente urbana e enfrenta problemas como desemprego, falta de habitação e poluição, entre outros. A atividade garimpeira, por exemplo, intensa na região, contaminou os rios de mercúrio e contribuiu para seu assoreamento. A mineração favoreceu o desgaste e a erosão dos solos.

Na economia, também se destaca a agricultura mecanizada de soja, milho e algodão, que começa a se expandir principalmente a partir da década de 80. Nos últimos 30 anos, a pecuária extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do Cerrado. Hoje, menos de 2% está protegido em parques ou reservas.

O Cerrado é a grande vítima invisível do desmatamento no Brasil. Enquanto os olhos nacionais e internacionais estão voltados para a Floresta Amazônica, a diversificada vegetação do Cerrado (que vai de campos naturais até – acredite – formações florestais) vem sendo varrida do mapa. O desmatamento no Cerrado ganhou fôlego na década de 1970, estimulado por projetos do governo que favoreciam a ocupação da região.

Plana e fácil de irrigar, a área era ideal para a expansão da agropecuária. Hoje, o Cerrado é o bioma brasileiro que concentra o maior rebanho bovino (cerca de 36% de todo o gado) e onde mais se produz soja (mais de 63% de todo o grão brasileiro). Em menos de 50 anos, quase 50% da vegetação original desapareceu. E 30% da área virou pasto: “Foi um processo de desmatamento muito rápido, sem precedentes”, frisou Harley.

E o desmatamento continua até hoje. Enquanto o ritmo do desmatamento na Floresta Amazônica caiu nos últimos dez anos – conquista comemorada internacionalmente pelo país –, a devastação do Cerrado se manteve no mesmo ritmo. Nos últimos dez anos, o Cerrado perdeu 50.000 quilômetros quadrados, mais que o estado do Rio de Janeiro.

A maior fronteira de desmatamento do Brasil hoje é a expansão da soja na região do Cerrado chamada Matopiba (áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e da Bahia). Entre 2015 e 2016, o desmatamento lá foi de 2.000 quilômetros quadrados, quatro vezes mais que no Arco do Desmatamento, área mais vulnerável da Amazônia Legal.

Imprensa – Prefeitura de Trindade
Fábio PH – fotos de Iris Roberto